quarta-feira, 20 de abril de 2011

PIAGET E VIGOTSKY: UMA VISÃO INTEGRADA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO


PIAGET E VIGOTSKY:
UMA VISÃO INTEGRADA
DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

PARTE DO LIVRO PRATICA PEDAGOGICA
ISABEL SADALLA GRISPINO



Emília Ferreiro é o ponto de partida da orientação socioconstrutivis-ta. Essa orientação encontra-se mesclada pelas linhas básicas de pen-samento de teóricos que defendem uma visão integrada do desenvol-vimento humano, como Piaget, e o russo Lev Semyonovitch Vigotsky, que atuou mais na área da psicologia e da neurologia.
UM PARALELO ENTRE PIAGET E VIGOTSKY – Piaget estava in-teressado em saber como o organismo se adapta ao meio. Concluiu que a criança possui uma lógica de funcionamento mental que difere qualitativamente da do adulto e passou a investigar por meio de quais mecanismos essa lógica infantil se transforma. Para Piaget, o desen-volvimento é um processo contínuo de trocas entre o organismo vivo e o ambiente, no qual a noção de equilíbrio é o alicerce da teoria. Emília Ferreiro, apoiando-se nessa noção, demonstrou que a criança, toda vez que desconhece um fato, se desequilibra, para depois dar um salto, superar a defasagem e voltar ao equilíbrio.
Vigotsky, por sua vez, avaliou que o pensamento é construído pau-latinamente num ambiente que é histórico e social. Para ele, o processo do pensamento é despertado pela vida social e pela constante comuni-cação entre as pessoas, permitindo a assimilação de experiências de muitas gerações. Quanto à hipótese, tanto Piaget como Vigotsky imagi-nam a criança como um ser atento que cria hipóteses sobre o seu am-biente, mas, enquanto Piaget enfatiza a maturação biológica, Vigotsky tem sua atenção voltada para o ambiente social. Piaget apregoa que o


desenvolvimento segue seqüência de estágios. Os estudantes partici-pam da construção do conhecimento, levando em conta as etapas do seu desenvolvimento. Vigotsky, ao salientar o ambiente social em que a criança nasceu, reconhece que, ao variar o ambiente, o desenvolvi-mento também variará.
Piaget acredita que os conhecimentos são elaborados espontanea-mente pela criança, de acordo com seu estágio de desenvolvimento. A visão peculiar – egocêntrica – que as crianças têm sobre o mundo, vai, progressivamente, aproximando-se da concepção dos adultos: torna-se socializada, objetiva. Com o termo “egocentrismo”, Piaget quer indicar um estado de não diferenciação entre o sujeito e o mundo exterior, e o sujeito atribui o seu ponto de vista a todos os que o rodeiam. Gradual-mente, através de interações sociais, ele toma consciência de outros pontos de vista além do seu, diferenciando-os.
Vigotsky discorda de que a construção do conhecimento proceda do individual para o social: a criança, desde o nascimento, vai formando uma visão desse mundo pela interação com os adultos. Dessa forma, procede-se do social para o individual.
Para Piaget, a aprendizagem se subordina ao desenvolvimento. Com isso, minimiza o papel da interação social. Vigotsky, ao contrário, avalia que o desenvolvimento e a aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente. Para ele, a sala de aula é um espaço de interação social. Espaço de muitas vozes, a do professor e a dos alu-nos. É zona de desenvolvimento proximal, de interação e diálogo. Pri-meiro, construímos o conhecimento com alguém e só depois prosse-guimos interiormente. Sempre aprendemos através do outro, não só através do professor, mas do colega, que, em determinado assunto


sabe mais. Faz-se uma troca que enriquece a aprendizagem. O grupo deve ser heterogêneo porque a diferença ensina bastante. Aprendemos com as diferenças, com a colaboração de cada um no processo de aprender e com o respeito ao outro que é diferente. Deve-se criar uma relação de ajuda de quem sabe mais – aluno x aluno – atingir um aprendizado resultante de uma interação social. Essa interação, que se cria na sala de aula, passa para a sociedade.
Em relação ao pensamento e linguagem, para Piaget o pensamento aparece antes da linguagem, que apenas é uma de suas formas de expressão. A formação do pensamento depende da coordenação dos esquemas sensórios-motores e não da linguagem. Essa só pode ocor-rer depois que a criança atingiu determinado nível de habilidades men-tais, subordinando-se aos processos de pensamento.
Vigotsky diz que pensamento e linguagem são processos interde-pendentes. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas fun-ções mentais: dá uma forma definida ao pensamento, possibilita o apa-recimento da imaginação, o uso de memória e o planejamento da ação. Para Vigotsky, a linguagem sistematiza a experiência das crianças e por isso adquire função central no desenvolvimento cognitivo.
São procedimentos divergentes ou complementares que possibilitam ao professor a observação direta e a conclusões específicas.

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